Época de parada é sempre assim. Você se lembra das anteriores e tenta imaginar como será a próxima. Remexendo nos meus arquivos, encontrei algumas fotos engraçadas. Cabelos, roupas, músicas, prioridades, número de pessoas na Av. Paulista. Tudo diferente. Tudo melhor.
Este post é sobre uma revolução pessoal, catalogada nos últimos cinco anos pelas semanas do orgulho GLBT em São Paulo de que participei.
: : 2002 – Parada sem parada | Público na Av. Paulista: 500 mil pessoas
Na minha primeira ida a SP no feriadão do orgulho não participei da parada em si, mas apenas do Gay Day (que estava em sua 2ª edição, no Hopi Hari). Naquele tempo não existia o ParouTudo. Eu tinha 18 anos e havia acabado de me mudar para Brasília. Então, morrendo de medo de meus pais não me deixarem viajar para a parada, fui para Uberaba (onde eles moram) e fiz a linha ‘família’. Na noite seguinte, com um ficante de lá, fui de ônibus para SP. Na rodoviária do Tietê, compramos os tickets até o parque e as passagens de volta a Minas para a mesma noite. Lembro de ter visto um monte de drag queens (e de ter ficado fascinado pelo Léo Áquilla, que era da Rede TV). Foi divertido. No dia seguinte eu já estava em Uberaba, pronto para voltar a Brasília. A viagem durou menos de 24 horas.



Saletty Campari / Léo Aquilla / Drag (?) e eu
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: : 2003 – Parada no trio | Público na Av. Paulista: 1 milhão
O site tinha quatro meses e ainda era gerido por amigos da UnB. Fomos de ônibus comercial e ficamos em um hotel na República, perto de uns puteiros. O pacote foi vendido por uma operadora uó que estava investindo no turismo GLS. Teve Gay Day no Hopi Hari, mas foi básico. Não conhecíamos nada e as baladas foram equivocadas. Fomos ao Mix Brasil conhecer o André Fischer, que tinha reservado duas pulseiras para o trio deles – aquele foi o último ano que o Mix teve trio. Estávamos no maior fervo lá quando chegou a notícia que Marta Suplicy (na época, prefeita) iria subir. Metade dos convidados teve que descer do trio. Logicamente, a metade menos VIP, e nós estávamos nela. Fomos para o trio do Massivo. Uma bee me ensinou: ‘Você tem que mandar beijo e dar tchau para as velhinhas e as travestis. Elas são as únicas que respondem’.



ParouTudo 2003 e Welton Trindade / Marta Suplicy / Av. Paulista
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: : 2004 – Parada de excursão | Público na Av. Paulista: 1,8 milhão
Nesse ano Thiago Malva (pela primeira vez em Sampa) e Filipe Scafuto já estavam na equipe. Fomos de ônibus, com um grupo organizado por duas agentes de turismo. A ida foi uma canseira, tipo excursão de colégio. Mas compensou quando chegamos ao quarto do hotel – com uma banheira redonda incrível – bem pertinho do Masp. Vimos o especial Luxurious do Léo Aquilla na Blue Space e o musical Chicago no Teatro Abril. O brasiliense Vilson tocou na Level, na noite Kalinato. O Gay Day, agora com o ParouTudo mais pop, foi divertido. Teve show de Edson Cordeiro e rolou uma participação hilária do Thiago no teatrinho do parque, fazendo o papel de ‘vento’. No dia da parada em si, lembro que compramos um cachecol ao chegarmos na Paulista e que pipocamos por alguns trios. Optamos por ficar no da extinta Level, o melhor da época, com bebida a rodo, cheio de barbies e gente badalada.



Léo Aquilla (fotomontagem com Level) / Thiago debutando em SP
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: : 2005 – Parada interrompida | Público na Av. Paulista: 2,5 milhões
Ano complicado. Fui na quarta-feira com a excursão do ParouTudo (a mesma agente de turismo do ano anterior organizou a viagem e liberamos o nome do site para promover a viagem). Foi o ano do single ‘Brasília, Terra do Carão’, que tocou muito no ônibus. Minha volta já estava marcada pela Gol, mas tive um problema e antecipei o bilhete para antes da parada. Briguei com meu namorado (que tinha ficado em Brasília) e decidi que voltaria para resolver tudo pessoalmente. E assim foi. Deu tempo apenas de ir à festa Magma, à Feira da Vieira e ao festival E-Joy Moon no Sambódromo do Anhembi que trouxe Deborah Cox ao país. Foi o ano da pulseirinha laranja de borracha. O Gay Day dessa vez foi no Playcenter, mas não deu para ir porque meu vôo para o DF era às 8h da manhã de sábado. Thiago e Filipe brigaram comigo, mas souberam aproveitar a parada no trio do Disponível.com. Vi a passeata pelos flashes da tevê e pela internet.



Show de Deborah Cox / Kaka Dipolly / Thiago e Filipe
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: : 2006 – Parada normal | Público na Av. Paulista: 3 milhões
Dessa vez tudo correu bem (meu namorado ficou em Brasília, mas não brigamos). Na verdade, deu tudo certo menos a cobertura – falha que eu nunca consegui perdoar. Em SP, tivemos um problema com a internet e como na semana seguinte tivemos um trio na parada de Brasília para organizar e uma edição especial do caderno de lazer da Tribuna do Brasil para fazer, acabou que o material que fizemos na parada paulista ficou em segundo plano. Voltando ao assunto ‘viagem’, pela terceira vez consecutiva ficamos no mesmo hotel, com a banheirona. Como estávamos mais espertos, deu tempo de fazer tudo o que queríamos. Só lamentei não ter visitado a House of Palomino. Foi o ano em que Ricardo Lucas ‘estreou’. E começou bem. Fomos recebidos muitíssimo bem em todas as boates e festinhas privês. O Mix Brasil lançou um camarote ótimo bem debaixo do Masp. Depois de um close rápido, fomos para o trio do Disponível. Como tinha jogo da Copa do Mundo no domingo, a parada rolou no sábado (e o Gay Day, xoxadíssimo, rolou no domingo – mas não fui).



Eu e Ricardo / Especial Silvetty na Blue Space / Av. Paulista
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: : Como será em 2007?
Difícil prever. O que você acha? Penso que as festas serão ótimas, que o Gay Day no Hopi Hari não será grande coisa e que o público da parada de novo baterá recorde. E espero não brigar com meu namorado, que novamente fica em Brasília. Estamos com a equipe turbinada, vamos levar dois laptops e o Filipe desenvolveu um blog super prático, então acho que a cobertura vai funcionar direitinho. Enquanto trabalhamos de SP, Ricardo Lucas nos dará suporte em Brasília.
Neste ano, por causa do Finíssimo, fico em São Paulo depois da parada para cobrir a São Paulo Fashion Week (só volto para Brasília dia 20), o que vai me impossibilitar estar aqui no dia 17, na Parada do DF. Pela primeira vez em 5 anos vou acompanhar a cobertura brasiliense a distância, como leitor.
Mas na vida é assim mesmo. As prioridades mudam.
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