:: post 108 - Deus não é grande. Pasmem!
Por Celso Faria em 30.11.2007 : : 9h02
Estou com um livro nas mãos pra lá de instigante. Desde a capa até suas 285 páginas, o livro “Deus não é Grande ” como a religião envenena tudo”, do inglês Christopher Hitchens, deve ser reconhecido como um achado da safra dos bons autores de 2007.
Com mais de 300 mil exemplares vendidos só nos Estados Unidos, os argumentos e a proposta de analisar as religiões e as várias divindades é de conquistar qualquer platéia.
Cheguei ao livro meio despercebido. Zapeando os canais da tevê, encontrei uma entrevista bem interessante com o autor, em passagem pelo Brasil, Porto Alegre. Ele veio participar do seminário Fronteiras do Pensamento na UFRGS.
É quase obrigatória a leitura de “Deus não é grande ” como a religião envenena tudo”, por religiosos, ateus ou agnósticos. Todos precisamos da verve irônica e ácida de Christopher para compreender e ter a certeza de que, em nome de Deus (ou deus), muitas atrocidades são feitas por aí.
Baseado no pressuposto de que a religião envenena tudo, o autor nos apresenta argumentos e fatos históricos que comprovam que a fé pode ter um efeito devastador e nada amigável. E nada de ficar de olho apenas nas questões políticas e religiosas do Oriente Médio. O autor passeia por todas as vertentes do mundo religioso atual e ainda faz concessões: apresenta seu conhecimento histórico para destacar as atrocidades à mulher, as carnificinas e o pensamento anti-semita contido no Velho Testamento, por exemplo.
Destaque para os efeitos da religião sobre a sexualidade. Partindo da origem dos seus mais importantes representantes, cada religião os cria de forma fantasiosa e não carnal. Jesus, Perseu, Attis, Krishna, Hórus, Mercúrio, Rômulo nasceram de uma virgem. Buda, da abertura no lado do corpo de sua mãe. Todas elas retratam o sexo e as vias humanas de prazer e procriação de forma preconceituosa e pecaminosa.
E se nosso objetivo não é ir tão longe e tentar encaixar tudo isso no nosso cotidiano, dê uma olhadinha no Congresso Nacional e perceba como a religião envenena tudo. As discussões do aborto e da união civil não vão pra frente por motivos celestes. Em cada uma delas, não se leva em conta os direitos inerentes e éticos dos cidadãos (ou seres humanos).
Dê uma olhada nas estatísticas. Aumenta o número de jovens do sexo feminino, heteressexuais, com AIDS. E por outro lado, a igreja Católica insiste em dizer que sexo é só para procriar, portanto nada de usar camisinha. Nas igrejas protestantes ainda difunde-se o mito do casamento entre parceiros virgens. É claro que se tivéssemos uma igreja que compreendesse a sexualidade de forma plena, teríamos campanhas muito mais eficientes.
Não fique recluso à questão “Deus existe e não sou ateu”. Vale passar na livraria e adquirir o livro. Depois comungar dos argumentos sagazes de Christopher. Com certeza, você poderá ampliar sua visão sobre as religiões e seus efeitos nocivos sobre a sociedade atual e ao longo da história. Se conseqüências adversas influenciarem sua fé, como já dizia minha avó, “o que não mata, engorda!”.
Gostei muito de seus comentários… Tomei conhecimento de seu blog porque estava buscando informação sobre este livro. Que vou correndo comprar amanha. (Sou ateu - graças ao mito de deus) Mas amei muitas outras coisas. Como o post 107: sobre o filme de Edith Piaf. Vou procurar ver este filme. No momento fico por aqui… devorando… seus comentários… ou melhor saboreando. Tem muitas coisas que gosto aqui.
Me interessei pelo livro e também estava à procura de comentários sobre ele.
Na minha opinião, essas coisas não provam que Deus não existe mas sim do fator de como as pessoas o “vêem” e imputam suas maneiras de pensar nos outros, tornando Deus um cara massivo de um pensamento totalmente fechado.
O problema não é Deus e sim as pessoas.