:: post 105 - Eu sou formador de opinião
Por Celso Faria em 21.09.2007 : : 22h21Extra! Extra! Olha o que acabo de descobrir. Não sou nenhum ator global. Meus pais não esconderam meu rosto diante dos fotógrafos, como Julia Robert fez, dias atrás, quando passeava com o filho. Não fui preso e apareci em todas as colunas sociais, mesmo sendo um faz-nada a Paris Hilton. Nunca fui convidado para sentar no sofá da Hebe Camargo. Nunca nem tive um bloco de entrevista paga no Jô Soares.
Síntese: não sou ninguém. Mas acabo de descobrir uma coisa: sou formador de opinião. Acabo de ser convidado pra festa do Parou Tudo e receber a nova revista ” Júnior. Por quê? Sou formador de opinião. Não é fino?! É mais ou menos assim: vamos entregar algumas revistas pra algumas pessoas desprovidas de qualquer fama, mas, pelo menos, vão ter algum assunto à mesa do bar.
É como fazer parte da Amaway ou da Herbalife. Dizendo em linguagem de marqueteiro ” que adora um termo difícil e que ninguém entende nada ” é puro network marketing. Sou aquele do boca-a-boca. Sabe aquela história do sucesso de uma marca é o boca-a-boca?!
Não basta a boazuda Juliana Paes na propaganda da cerveja. É preciso que gente assim, como eu, que paga as contas apertadamente, que vive a vidinha simples e de sempre, fale bem da cerveja.
Não é suficiente Reynaldo Gianecchini, sem camisa, mostrar que é uma delícia comer aquele biscoito. É preciso que eu, que vive de dieta em dieta e conta pontos pra tentar perder uns quilos, experimente o tal produto e diga pra meu amigos que aquilo é bom.
Seria isso uma profissão dos a toas?
E agora o melhor: mesmo diante de tanta importância, não estarei na festa. Puxa vida, além de formador de opinião acabo de descobrir que sou muito sem sorte. Não vou poder usufruir nem do dia em que meu nome vai estar na lista dos convidados. É isso aí. Tem gente que nem boca-a-boca faz direito.
Boa festa a todos e espero estar na mesa de algum formador de opinião mais sortudo e saber de tudo.

Boa noite, Celso.
O que mais me atrai nos seus textos é a simplicidade ” as palavras de um cotidiano. Entretanto, por mais que vivamos em uma rotina, vejamos os mesmos objetos, haverá um novo ângulo não perceptível pronto para ser descoberto. E, a simplicidade pode beirar a humildade e escorregar na baixa-estima. Até que ponto ressaltar uma qualidade pessoal é uma atitude inadequada?
Nessa viagem, o destino que quero atingir é que, Celso, você tem uma coluna jornalística, suas idéias nos levam a uma reflexão. Como não seria um formador de opinião? Por mais que eu não tenha fama, não tome pileques e faça escândalo, que não tenha a vida conduzida pelas letras da “Rehab”, não me sinto um “ninguém”. Muito pelo contrário. Se ser alguém é me igualar a esses modelos distorcidos enfatizados pela mídia, prefiro me manter no anonimato de uma vida simples, sem diminutivos.
Não recebi a revista “Júnior” e, com a minha pleonástica certeza absoluta, não receberei, porque simplesmente não fui selecionado a partir de um critério subjetivo. Você se descobriu formador de opinião por receber algo? Os caminhos que o levaram a isso podem não ter sido os mais desejáveis, mas que bom que conseguiu ficar entre os 28 formadores de opinião. Portanto, não sinto uma falta de sorte em nenhum momento, basta pedir que enviem a revista pelo correio, por um amigo e logo estará em suas mãos.
Após folheá-la, ler, será somente mais uma revista dentre outras. Nem melhor, nem pior. Apenas papel. Um papel, uma festa, um convite. Muito pouco. Mas, é só mais uma opinião.
Abraços a todos =)